04 de agosto..
Acordei um pouco mais aérea..
Quésia veio nos visitar e me deu alta. Eu estava ótima. Mas precisávamos cumprir as 48 horas do seu nascimento para te levarmos pra casa em segurança, por causa do streptococos positivo.
Mais algumas visitas. E eu continuava meio aérea.. Estranha. Não conseguia prestar muita atenção no que me diziam. Não conseguia me concentrar nas conversas.
Até que minha mãe me ligou. Com voz de choro que eu conheço pelo alô!
Perguntei se estava tudo bem com o Pedro e ela disse que sim.
Essa resposta já me disse tudo: "É a Pri né mãe!"
Nem perguntei. Afirmei..
E veio a confirmação. Sim.
Sim. A Pri estava liberta. Liberta de um sofrimento que passamos juntas por 4 anos. Na hora não chorei. Foi realmente como se eu já soubesse. Só confirmei. Fiquei quieta, em silêncio. Um filme passou na minha cabeça. E esse filme é do tamanho da minha vida inteira, afinal, nos conhecemos eu tinha 1 ano e ela 4.
Mas uma confusão tomou conta de mim. E o tamanho da alegria que eu estava sentindo? O que faço com isso? E esse aperto na alma agora? O que faço com isso? Como podem 2 sentimentos tão distintos serem vividos no meu coração no mesmo momento? Uma chegada e uma partida. Como o programa que eu assistia quando descobri sua chegada filha..
E que partida sentida...
Pri, não me lembro de um minutinho da minha vida sem você. Sua presença sempre tão forte, me dava a força de uma irmã mais velha. Rimos e choramos juntas. Amamos e desamamos juntas. Confidentes, irmãs. Como foi doído estar ali, presa naquele hospital sem poder viver os momentos de despedida. Mas estive com você no dia primeiro de agosto a contra gosto da minha mãe e do seu pai por causa da gravidez muito avançada. Mas eu sabia que tinha que ir. Me sentei ao seu lado e acarinhando seu braço, sabia estar me despedido de uma pessoa tão importante na minha vida. Naquele momento senti estar te ajudando a se libertar. Te dizendo vá! Não tem mais o que ser feito. Vôa!
Acho que os anjos de alguma forma quiseram te proteger filha de passar por esses momentos tão doídos . O seu dia para nascer foi escolhido a dedo para me impossibilitar de todas as despedidas. Acho que seria triste de mais você viver tudo isso na minha barriga.
Que dia... Tudo que eu queria era ira para casa. Chorar. De alegria por te apresentar sua vida. De uma enorme tristeza por não poder te apresentar a essa tia, minha irmã Pri. Imaginei mil vezes te levar lá para vocês se conhecerem.
Pri,
da minha janela vejo a sua. Da minha janela sempre te chamei para um oi. Olhar pela minha janela hoje me dá um enorme aperto no peito e não consigo e nem quero segurar essa dor. Sei da imortalidade da alma. Mas a sua presença física vai me fazer muita falta. Vou fazer um enorme esforço para na sua janela imaginar flores. E que o perfume delas chegue até você, levando todo o meu carinho.
E pra sempre, toda vez que eu olhar para a foto da saída de maternidade da Bela no dia 5 de agosto, meu coração vai se apertar. No meu olhar, amor e dor.


Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigada por participar desse momento tão importante para a Bela, mamãe, papai e Pepê! Um beijo carinhoso!