Essa não é uma carta. Não tem destinatário, se não eu
mesma...
Dia de montar a árvore de Natal. Muita alegria, nossa árvore
ficou linda.
É o quarto Natal do Pedro e o primeiro da Bela.
Olhando para a árvore e vendo o Pedro pulando e brincando em
volta, ouço seus comentários a respeito de Papai Noel e fico pensativa.
Como é difícil criar um filho. Como as vezes olho para ele e
me critico pensando que algumas coisas deveriam ser diferentes, que assim não
estou fazendo direito, que daquela outra forma também não está bom e que tenho
que pesquisar como se educa melhor um filho.
Queria que tudo tivesse uma essência bem sincera e
construtiva. Que cada brincadeira servisse para ele aprender alguma coisa. Que
cada palavra, cada interferência nossa pudesse ser bem colocada para ele ser
cada vez uma pessoinha melhor.
Que medo de errar.
Pensando tudo isso, vejo como é fácil criticar. Criticar a
mim mesma. Logo eu que andei pregando que as mulheres deveriam se dar as mãos e
serem cada vez mais companheiras em momentos tão importantes da vida como na
gestação, parto, e vida de mãe. Logo eu que tenho tentado cada vez criticar
menos as mulheres e suas escolhas, estou me criticando de uma forma tão dura. E
como isso torna a minha relação com meu filho pesada. O tempo inteiro pensando a
melhor maneira de fazer isso ou aquilo. O que é melhor ele comer, do que é
melhor ele brincar...
E termino meu dia exausta... Esbudegada, como costumo dizer
com o Renato.
Depois de tudo isso, paro e penso na conversa que tive na
praça com minhas amigas hoje. Sobre filhos, quantos ter, como prevenir...
E vejo como eu amo ter filhos. E quando falo em ter filhos
falo de gerar filhos e tê-los comigo. São coisas tão distintas.
Gerar e Parir x Ter e Criar
Gerar e parir são coisas tão mágicas e intensas que nove
meses se tornam pequenos perto do quão bom é esse momento.
A gestação do Pedro foi vivida intensamente e amorosamente
cada dia.
A gestação da Bela... essa a vida é que foi muito intensa,
me roubando um pouco do prazer do momento. Responsabilidade só minha nisso.
E agora? Será que vou ter a oportunidade e coragem de viver
isso mais uma vez nessa vida?
Não sei.
Vontade não me falta. Mas hoje vejo que se isso acontecer,
vai ser por uma vontade de Gerar e Parir novamente e viver tudo tão diferente
do que eu vivi da segunda vez. Mais do que a vontade de Ter e Criar. E enquanto
for assim, considero minha família completa! Pois sentimentos tão próximos tem
que ser muito bem separados já que no fundo, são coisas tão diferentes.
Marina e Renato, Pedro e Bela

