quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Como?

Filha,
Como eu pude viver até hoje sem você??
Foi muito bom curtir o Pepê intensamente até quase 4 anos e acho que a ordem de chegada dos filhos vem certinha com a necessidade de atenção que cada um precisa. Ele vai ser sempre o nosso primogênito delicioso, carinhoso, marrentinho e lindo. Mas agora nossa família tem ainda mais cor, mais alegria, mais amor!
Olhamos para você e ficamos procurando com quem você se parece. Alguns dizem que é com a sua bisa Creusa, outros como o vovô Paulo, alguns com o papai, alguns com a mamãe... Acho que na verdade você não se parece com ninguém. Você é você mesma. Veio com esse charmoso olhinho puxadinho, deliciosas bochechas pra gente beijar, uma carequinha pra gente alisar. Você é a coisa mais linda do meu mundo! Estou completamente apaixonada por você!




quarta-feira, 28 de outubro de 2015

04 de agosto

04 de agosto..

Acordei um  pouco mais aérea..
Quésia veio nos visitar e me deu alta. Eu estava ótima. Mas precisávamos cumprir as 48 horas do seu nascimento para te levarmos pra casa em segurança, por causa do streptococos positivo.

Mais algumas visitas. E eu continuava meio aérea.. Estranha. Não conseguia prestar muita atenção no que me diziam. Não conseguia me concentrar nas conversas.

Até que minha mãe me ligou. Com voz de choro que eu conheço pelo alô!
Perguntei se estava tudo bem com o Pedro e ela disse que sim.

Essa resposta já me disse tudo: "É a Pri né mãe!"
Nem perguntei. Afirmei..

E veio a confirmação. Sim.

Sim. A Pri estava liberta. Liberta de um sofrimento que passamos juntas por 4 anos. Na hora não chorei. Foi realmente como se eu já soubesse. Só confirmei. Fiquei quieta, em silêncio. Um filme passou na minha cabeça. E esse filme é do tamanho da minha vida inteira, afinal, nos conhecemos eu tinha 1 ano e ela 4.

Mas uma confusão tomou conta de mim. E o tamanho da alegria que eu estava sentindo? O que faço com isso? E esse aperto na alma agora? O que faço com isso? Como podem 2 sentimentos tão distintos serem vividos no meu coração no mesmo momento? Uma chegada e uma partida. Como o programa que eu assistia quando descobri sua chegada filha..

E que partida sentida...
Pri, não me lembro de um minutinho da minha vida sem você. Sua presença sempre tão forte, me dava a força de uma irmã mais velha. Rimos e choramos juntas. Amamos e desamamos juntas. Confidentes, irmãs. Como foi doído estar ali, presa naquele hospital sem poder viver os momentos de despedida. Mas estive com você no dia primeiro de agosto a contra gosto da minha mãe e do seu pai por causa da gravidez muito avançada. Mas eu sabia que tinha que ir. Me sentei ao seu lado e acarinhando seu braço, sabia estar me despedido de uma pessoa tão importante na minha vida. Naquele momento senti estar te ajudando a se libertar. Te dizendo vá! Não tem mais o que ser feito. Vôa!

Acho que os anjos de alguma forma quiseram te proteger filha de passar por esses momentos tão doídos . O seu dia para nascer foi escolhido a dedo para me impossibilitar de todas as despedidas. Acho que seria triste de mais você viver tudo isso na minha barriga.

Que dia... Tudo que eu queria era ira para casa. Chorar. De alegria por te apresentar sua vida. De uma enorme tristeza por não poder te apresentar a essa tia, minha irmã Pri. Imaginei mil vezes te levar lá para vocês se conhecerem.

Pri,
da minha janela vejo a sua. Da minha janela sempre te chamei para um oi. Olhar pela minha janela hoje me dá um enorme aperto no peito e não consigo e nem quero segurar essa dor. Sei da imortalidade da alma. Mas a sua presença física vai me fazer muita falta. Vou fazer um enorme esforço para na sua janela imaginar flores. E que o perfume delas chegue até você, levando todo o meu carinho.

E pra sempre, toda vez que eu olhar para a foto da saída de maternidade da Bela no dia 5 de agosto, meu coração vai se apertar. No meu olhar, amor e dor.



quarta-feira, 7 de outubro de 2015

03 de agosto

Dormimos na suite de parto. Não tinha quarto livre as 11 da noite para sermos transferidos.
E isso não seria um problema. Eu estava deitada na cama de parto, seu pai em uma poltrona bem confortável e você no bercinho ao meu lado.
Ali passamos nossa primeira noite os 3 juntos. Eu cochilava e acordava ouvindo a música ambiente e olhava para a banheira como a reviver cada segundo da sua chegada. Linda chegada! Estava me sentindo poderosa!
Rapidinho fomos para o quarto e logo foram chegando as visitas para te conhecer.
E a principal visita: Pedro! Estávamos todos ansiosos para ver a carinha dele olhando pra você.
E foi tão lindo!
Ele me disse um "oi mamãe" já te procurando. Colocamos ele na cama ao nosso lado e você foi por um tempinho para o colo dele. Ele te olhou com a carinha mais lindinha! Se conheceram! E ele ficou tão feliz. Acho que ali ele deu um salto em sua maturidade e entendeu que iria cuidar de uma coisinha tão frágil e pequenininha. Passou o dia todo com a gente e depois foi embora com a vovó Ângela e o vovô Totônio dormir com eles. Mas falou com a vovó: "Eu queria meu pai. Eu queria minha mãe. E queria a Belinha. Queria a minha família vovó!"

Eu estava ainda meio aérea. Eu fisicamente muito bem. Curtindo as visitas. Curtindo você!




2 meses...

Filha,
como o tempo corre...
Dia 2 de outubro foi o aniversário de 4 anos do seu irmão e você já fez 2 meses. Não sei o que é mais estranho, ver o Pedro tão grande ou você mudando tanto a cada dia.

E eu, depois desses 2 meses estou voltando a te escrever. Foram dias intensos. Muito intensos. Dias de muita alegria, muito cansaço, tristezas, choros... E aqui estamos! Por trás de tudo isso eis que o amor que tenho por você vai ficando cada dia mais gostoso! É que no meio de um turbilhão tão grande que é o começo de uma vida, as preocupações com o cuidar de você, te conhecer, tentar entender o que você quer, o que você sente, o amor vai ficando camuflado por trás de tudo isso. E agora que já estamos nos acostumando com seu jeitinho, que os cuidados já viraram uma rotina, sobra mais tempo pra olhar pra você e descobrir os primeiros sorrisos e as trocas de olhares ficam tão deliciosas! E reconhecer seus chorinhos vira uma conversa. Agora mesmo vou ali acudir seu pai porque você está chorando bem alto e isso é fome e só eu posso resolver.. Já volto!

Pronto!!

Bom, esse post é pra dizer que vamos voltar um pouquinho no tempo e marcar alguns dias muito importantes que vivemos. Até chegar nos dias de hoje..