Pedro,
Hoje acho que consigo escrever o que foi pra mim sua chegada sem me emocionar tanto…
A exatamente uma semana atrás começavam meus últimos momentos de gravidez. Sábado 01/10/11, mais ou menos 22:00
Me despedi de alguns amigos na porta da minha casa e corri para o banheiro, “Ixi, estou perdendo um pouquinho de líquido...” Isso já vinha acontecendo a alguns dias, mas dessa vez era um pouco mais. Quando cheguei no banheiro, Renato estava lá e eu bati na porta “Tico, olha... será que minha bolsa estourou?” Eu estava segurando o “xixi” que escorria aos pouco e quando relaxei... É, minha bolsa tinha estourado mesmo! Peguei o telefone e liguei para a Dra. Quésia. Expliquei o que estava acontecendo e ela me perguntou como era o líquido. Era claro com umas “coisas” escuras mais grossas. Ela fez um pequeno silêncio e me disse:“Marina, não estou em Belo Horizonte, vou ter que te encaminhar para o Hemmerson para ele te examinar. “Ela mesma ligou pra ele e me retornou me dizendo para me encontrar com ele na Maternidade Santa Fé. Ao fim da ligação ela me disse: “Converse com o Pedro, pede pra ele me esperar, chego amanhã...”
Arrumei a mala da maternidade que já estava semi-pronta, mas que de propósito deixei para terminar quando estivesse na hora, assim fui arrumando e me acalmando e sentindo meu momento. Será que tinha chegado a minha hora? Tinha sim, eu sei que tinha, mas é que era um momento tão aguardado nesses 9 meses que parecia ainda distante. Falei com o Renato que eu achava que ainda voltaríamos para casa porque eu não estava sentindo contrações.Chegamos no Santa Fé e Dr. Hemmerson já nos aguardava. Me examinou e nos deu a notícia de que eu já ficaria internada por causa de um motivo muito delicado.. Meu líquido estava com mecônio (primeiro cocôzinho do neném) e que isso era uma situação delicada, já que o Pedro não poderia mais beber o líquido que ele bebeu durante esses 9 meses na minha barriga, porque agora ele estava sujo. Se ele bebesse entraria em sofrimento.
Com isso, Dr. Hemmerson já me conscientizou de uma grande chance de cesariana.Nesse momento “murchei”. Poxa, me preparei durante toda a gravidez para um parto normal, pilates, exercícios e massagem para o períneo para no final, uma cesariana. Mas no fundo agradecia por existir essa possibilidade já que o mais importante era a segurança do Pedro.
Nessa hora, meu corpo começou a dar sinais de início de trabalho de parto. Começavam algumas contrações ainda bem irregulares. Isso nos dava esperanças de parto normal. Eu estava com 3cm de dilatação.Dr. Hemmerson conversou muito comigo e com o Renato, já que ele não tinha sido o nosso médico durante a gravidez e nos disse que se tivéssemos opção que escolheríamos juntos. E foi o que ele fez.
Nos encaminhou para o melhor quarto possível e quando estávamos instalados ele chegou com as opções. Poderíamos induzir as contrações com ocitocina (hormônio sintético) para acelerar o trabalho de parto já que corríamos contra o tempo pois o Pedro não podia engolir mais nem uma gotinha do líquido ou iríamos de uma vez para a cesariana. Decidi que tentaria o parto normal com ocitocina, mesmo ela tornando as contrações bem mais dolorosas. Iniciamos também o uso de um antibiótico que eu teria que tomar por ser positiva a uma certa bactéria que o Pedro não poderia ter contato. Esse antibiótico teria que ser renovado a cada 4 horas até o momento do nascimento do meu filho.Então preparamos o quarto com música que eu e Renato levamos, velas a pilha levadas pelo Dr. Hemmerson e eu ainda coloquei umas a fogo mesmo em um cantinho escondido, pedindo logo uma limpeza do local com a força dos elementais do fogo.
Ali fiquei por um tempo relaxando em uma bola de pilates, fazendo caminhadas pelo quarto e recebendo carinhos do meu querido marido e pai do Pedro! Até que as dores se tornaram muito intensas e eu tristemente pedi anestesia com 5cm de dilatação. Sabia que ela atrasaria um pouco o trabalho de parto, tornando as contrações mais fracas, fazendo o inverso da ocitocina, mas eu não aguentaria daquela forma e resolvi correr mais esse risco, aumentar o tempo de trabalho de parto mas torna-lo possível.Com isso fomos para o bloco cirúrgico, carregando todo nosso aparato, velas a pilha e computador com músicas de relaxamento. Renato era incansável nos seus carinhos comigo. Me beijava, passava a mão pelos meus cabelos, no meu ombro. E quando por um instante ele saiu para ir ao quarto, pareceu uma eternidade.. Ele fazia parte intensamente daquele momento tão esperado por nós dois.
Tomei a primeira dose da anestesia por volta de 02:30 da madrugada do dia 02/10/11 (a anestesista, Dra. Raquel foi uma pessoa extremamente delicada e cuidadosa comigo) e dei uma boa relaxada que o Dr. Hemmerson chamou de “descanso de parto”. Eu tirei um cochilo na maca abraçada ao Renato que se sentou ao meu lado e colocou sua cabeça ao lado da minha. Assim ficamos até mais ou menos 06:00, quando acabou a minha folga. Minhas contrações começaram a chegar bem mais fortes e com elas a dor. Agora era uma dor bem intensa que eu sentia logo abaixo da barriga. Parecia que estavam colocando fogo dentro de mim. Já estava com 6cm de dilatação. Mas a previsão é de 1cm a cada 2 horas e eu precisava chegar em 10cm para o Pedro nascer. Ou seja, mais 8 horas de trabalho de parto... Ai meu Deus!! Todo momento Dr. Hemmerson conferia os batimentos do Pedro. Essa era a forma que tínhamos de saber se ele ainda estava bem, pois qualquer contato com o líquido seu batimentos começariam a cair.Uma das vezes que fomos conferir os batimentos, eu escutei que eles abaixavam um pouco e gelei!!! Mas estava tudo normal. Quando aconteciam as contrações o batimento caia um pouco mesmo e depois voltavam ao normal, bem acelerado.
A dor aumentava e eu pedi nova dose de anestesia, mas a dose baixa como a primeira já não fazia mais o mesmo efeito e eu pedia mais. Cada vez que eu pedia Dr. Hemmerson me enrolava com alguma história, conversava, para que eu ficasse o máximo de tempo possível sem nova anestesia. Ele me propôs até uma comparação: meu trabalho de parto seria como se fosse uma corrida até a Praça do Papa. Estávamos na av. Afonso Pena, em frente aos correios... Em certo momento do trabalho de parto Dr. Hemmerson entra na sala com picolés! Tudo para me distrais e me tornar mais forte. Comi rapidinho, escondido!
Cada contração durava mais ou menos 40 segundos e elas aconteciam de 3 em 3 minutos. A sensação era contrária, 3 minutos de dor a cada 40 segundos! Quando eu não estava em contração eu já estava tão dolorida que a dor se tornava constante. E assim fomos a cada cm... Em certo momento eu já estava na Praça da Bandeira! Estávamos conseguindo! Apesar de toda dor e que quando vinham com muita força eu gritava dizendo que eu não ia conseguir, que aquilo estava tirando todo o prazer de trazer meu filho ao mundo, eu sabia existir uma força muito Maior me amparando e logo depois me vinha uma certeza e uma vontade muito grande, “Vamos filho, nós vamos vencer essa batalha. Você é forte e vai conseguir!”Em uma das vezes que o Dr. Hemmerson foi até a ante sala dar notícias minhas para nossa família ele voltou com uma foto que a imagem nunca vai sair da minha cabeça. Minha mãe, meu irmão Matheus e minha cunhada Aninha estavam lá, torcendo por mim, com os dedinhos cruzados, esperando ansiosos a chegada do nosso menino. Em um momento de dor quase desesperadora, o olhar de expectativa e torcida dessas 3 pessoas tão queridas me deu uma enorme força para continuar. Chorei ao imaginar o amor com que eles esperavam a chegada do meu filho.
Chegamos ao 10cm!!! Nem acreditei! Aí perguntei quanto tempo duraria o trabalho de expulsão e um balde de agua fria! 1 minuto ou 4 horas.. tudo era possível.. Isso já era mais ou menos 12:00 e a previsão do Dr. Hemmerson era aguaradar até mais ou menos as 16:00. Nossa ainda era muito tempo... Neste momento de muita dor, escuto por trás de mim uma deliciosa voz entrando na sala: “Oi, eu sou Karine, amiga da Marina, sou obstetra amiga da Dra, Quésia!” Graças a Deus, mais uma força! Me senti ainda mais amparada e ajudada e só aumentava minha certeza de que tudo ia dar certo. Karine me fazia carinhos, me falava palavras de muito incentivo e apertava minha mão na hora de fazer força, multiplicando essa força.Começamos a fase expulsiva.
(Pausa para pegar o Pedro que acordou pra mamar!)Renato me olhava com tanto amor, com tanto cuidado que mesmo no momento em que eu sentia as maiores dores e já estava exausta e não aguentava mais nem seu toque em mim, ele me cuidava com os olhos, seu olhar carinhoso, forte e cheio de amor me dava forças para continuar.
Depois de algum tempo de expulsão deitada com Renato passando a mão nos meus cabelos e me dizendo todo o tempo palavras de força, Karine segurando minha mão e Dr. Hemmerson alegre por estar prevendo um fim em menos tempo do que ele imaginava e todo o tempo me animando, ele me propôs tentarmos a expulsão no banquinho, parto vertical, como eu tinha planejado no meu plano de parto com a Dra QuésiaMe sentei no banquinho com Renato sentado em um banquinho um pouco mais alto atrás me segurando e amparando meu corpo nos intervalos de contração. Karine na minha frente me incentivando e Dr. Hemmerson de olho só esperando o Pedro sair. E ele falava, “tô vendo uma carequinha!”... Eu pedia que ele me ajudasse dando uma puxadinha no Pedro mas ele falava “Marina, falta tão pouco, eu não vou fazer isso, você vai conseguir!” Um pouquinho depois ele me avisou: “Coloca a mão, sente, a cabecinha dele está saindo...” Coloquei a mão e senti uma emoção muito grande tomar conta de mim e me dando força para continuar. E em mais duas contrações...
Pedro!!! Meu amor!!! Você chegou!!!! Conseguimos filho! Como foi emocionante ver que tinha dado tudo certo e que você estava ali, na nossa frente... Dr. Hemmerson marcou e seu pai cortou nosso cordão umbilical. Agora você estava solto, pronto para começar sua vida. Você chorava muito e forte. E quando veio para o meu colo e eu falei com você “Oi Pedro, meu filho..” você se acalmou. Não era cena de novela não. Você suspirou como que aliviado no meu colo. Consegui segurar você por alguns segundos e pedi que a tia Kk te pegasse porque eu não estava me sentindo muito beeeemm.. Ops! Desmaiei! Renato ficou assustado, mas os médicos com toda calma disse que era normal pois eu tinha perdido muito sangue com a saída da placenta. Me carregaram pra maca, a Kk foi passando uma gaze com água na minha boca, uma delícia de carinho.. e eu fui voltando.
Estava radiante, já sem dor e com meu filho no colo já tentando mamar. Começava ali, ainda na maca, momentos inesquecíveis.. Os primeiros da minha vida com meu filho.
**O link abaixo tem fotos tiradas pelo Dr. Hemmerson, que as transformou em video.**
Nuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!! que lindo!!!!!!! vc contando parece que eu vi tudo..... parece que eu estava lá..... bjos
ResponderExcluirParabéns, meus lindos!
ResponderExcluirA torcida não só foi, mas é grande, muito grande!
Amo vocês de todo o meu coração!
Bjsssssssssssssssssssssssssssssss